se o casal jack e rose tivesse conseguido chegar a solo americano, depois de vencerem todos os obstáculos, durante quanto tempo continuariam madly in love?
os protagonistas do maior sucesso cinematográfico de sempre voltam a trabalhar juntos uma década depois e a química de  winslet e dicaprio continua explosiva.
em Revolutionary Road, eles são um casal americano da década de 50 que se apaixona, ela engravida e vão viver para uma casa dos subúrbios. ele tem de suportar um emprego onde não se realiza por dinheiro e ela acaba por abafar o desejo de ser actriz em nome da família. até aqui tudo estupidamente banal.
mas april (a personagem de winslet) começa a sufocar no papel de dona-de-casa cujo objectivo diário é cozinhar, cuidar das plantas e dos filhos. sempre pensou que eles fossem diferentes, mais profundos do que as convenções sociais. então propõe ao marido mudarem-se para Paris, onde ela trabalharia e ele procuraria o seu talento e um emprego que o fizesse feliz.  Paris é a quimera, o desejo de uma vida diferente. porque, como ela própria diz, afinal quem é que inventou estas regras?

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winslet está como peixe na água nestes dramas emocionais e dicaprio é a encarnação do desespero. uma personagem muito bem apanhada é o filho supostamente louco doz vizinhos, que é uma espécie de grilo do pinóquio mas extremamente mordaz. a dúvida subsiste : vivemos num template previamente desenhado pela sociedade? até que ponto as nossas escolhas são livres? até que ponto somos capazes de magoar os que mais gostamos quando sentimos que o nosso sonho foi traído e não era nada disto que desejávamos? o que está por baixo do véu da normalidade (tantas vezes conseguida a custo da individulidade)?
Isto é Sam Mendes e isto é American Beauty. Não me parece que se tenha desvirtuado.

p.s.: não deixem de ver o trailer – há alguns que são verdadeiras obras de arte.

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