Onde deixou a lua cheia seu noturno saco de farinha? 
Se termina o amarelo, com que faremos o pão?
Diga-me: a rosa está nua ou só tem esse vestido?
Há algo mais triste no mundo que um comboio imóvel na chuva?
É verdade que a esperança se deve regar com orvalho?
Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?
Por que choram tanto as nuvens e cada vez são mais alegres?
Que ocorre com as andorinhas que chegam tarde ao colégio?
Quantas perguntas tem um gato? 
As lágrimas que não se choram esperam em pequenos lagos?
Onde estão aqueles nomes doces como tortas de outrora?
Quem gritou de alegria ao nascer a cor azul?
Por que se entristece a terra quando aparecem as violetas?
Como logrou a liberdade a bicicleta abandonada?
É verdade que no formigueiro os sonhos são obrigatórios?
De que ri a melancia quando a estão assassinando?
Como se chama uma flor que voa de pássaro em pássaro?
Não é melhor nunca que tarde? 
Por que vivem tão esfarrapados todos os bichos-da-seda?
Que distância em metros redondos há entre o sol e as laranjas?
E por que o sol é tão mau amigo do caminhante do deserto?
E por que o sol é tão simpático no jardim do hospital?
Não vês que floresce a macieira para morrer na maçã? 
Como se chama a tristeza numa ovelha solitária?
Onde vão as coisas do sonho?Vão para o sonho dos outros?
Que pesam mais na cintura, as dores ou as lembranças? 
Se todos os rios são doces, de onde tira sal o mar?
Como sabem as estações que devem mudar de camisa? 

Pablo Neruda

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