Fico sempre estranhamente abalada quando morre uma figura pública pela qual nutro alguma espécie de admiração ou carinho. Na verdade, essa pessoa nem sonha com a minha existência e se fosse eu que tivesse morrido, ela não sentiria nem um apertozinho no coração, porque provavelmente (a não ser que o óbito se desse em circunstâncias algo excêntricas) nem o saberia.
Mesmo tendo isto presente, não posso deixar de verificar como os media dão novas pessoas às pessoas. Vemo-las na televisão, lemos as suas opiniões nos jornais, às vezes até conhecemos as suas intimidades numas certas revistas e, quando vamos a ver, essas personagens fazem parte do nosso mundo. Somos influenciados por elas em campos inimagináveis.

E pronto. Isto tudo assaltou-me quando soube da morte do Eduardo Prado Coelho. Nunca tive o prazer de me cruzar com ele, mas fazia parte daquela minha galeria de senhores grandes, cujos comentários vêm na contracapa dos livros e sabem tanto de tudo, que não percebo onde e como têm tempo para acumular tanto saber. 
Acho que não tenho a grandeza de espírito (seja lá o que isso for) necessária para compreender o enigma da vida. E, sobretudo, o da morte.  
 

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