Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Jorge Palma, in Vôo Nocturno

n.b.: hoje chega aos nossos ouvidos o novo álbum do Jorge Palma, Vôo Nocturno. O nome do disco remete para o livro do A. Saint-Exupéry, que Jorge Palma leu quando tinha 18 anos.
Esta letra é do primeiro single do disco, em cujo videoclip participam muitos amigos – David Fonseca, Sérgio Godinho, Lena d’Água, Janita Salomé, só para citar alguns.
Depois de nos desNortear, em 2004, o senhor das letras bonitas, do piano e da guitarra, procura levar-nos a fazer um vôo picado sobre a vida e o amor. Já tinha saudades dele, mesmo tendo-o sempre presente.

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