Já vou perdendo a conta aos quartos onde já morei. Pequenos, grandes, partilhados e individuais. Já dormi em cama de casal, de solteira, meio-corpo (sim, existe), já tive televisão e já aprendi a viver sem ela.

O quarto onde moro agora tem malmequeres vermelhos e borboletas. No entanto, a minha enorme janela não tem persianas, o que faz com que a luz me desperte todos os dias mal a aurora rebenta.

Ontem foi noite para descobrir mais uma característica peculiar do meu quarto: quando chove, o barulho da chuva torna-se ensurdecedor. Ecoa nos canos e no taipal de plástico que cobre a varanda, e o vento fica lá, rebelde e inquieto, neste microcosmos caseiro.

Por tudo isto e muito mais, ontem à noite, quando fechava os olhos, parecia que estava no meio da maior tempestade do século.

Como canta um certo conhecido, «summer rains are still the strongest» (ou qualquer coisa do género).

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